Nell · Publicações
Dê-me uma planta no começo de uma história de casa assombrada e vou consultá-la o tempo todo.
Dê-me uma planta no começo de uma história de casa assombrada e vou consultá-la o tempo todo. Quero saber que a escada vira à esquerda, que o banheiro fica acima da cozinha e que o armário é mesmo só um armário. Gosto de passar algumas páginas conhecendo um edifício inteiramente imaginário.
Depois, dê-me uma porta a mais do que a planta permite.
Isso me deixaria mais inquieta do que um corredor cheio de sussurros. Com os sussurros, já sei que estamos numa história de fantasmas. A porta a mais me dá algo para verificar. Posso voltar à planta, contar os cômodos, procurar um espaço estreito ao lado da escada. Até fazer algo sensato acaba dando medo, porque não adianta.
Eu gostaria que o resto da casa continuasse normal por um bom tempo. Se todos os cômodos mudam de lugar de uma vez, paro de tentar acompanhar onde fica cada um. A casa pode fazer qualquer coisa, então posso muito bem esperar pela próxima surpresa. Mas, se a cozinha continua no lugar e o armário ainda está cheio de toalhas, vou continuar tentando encontrar uma explicação para aquela única porta.
A mesma pintura. A mesma maçaneta das outras. Quase conseguiria me convencer de que o desenho estava errado.
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