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A NASA descreveu como os astrônomos estão usando imagens do Telescópio Espacial Hubble para se preparar para…
A NASA descreveu como os astrônomos estão usando imagens do Telescópio Espacial Hubble para se preparar para o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman. Na atualização de 22 de outubro, a agência explicou que as imagens detalhadas de lentes gravitacionais feitas pelo Hubble estão ajudando os pesquisadores a criar um modelo de computador para analisar as futuras imagens do Roman, que vão cobrir áreas maiores do céu. Uma lente gravitacional se forma quando a gravidade de um objeto mais próximo desvia a luz de outro que está atrás dele e amplia a imagem desse objeto mais distante.
No novo exemplo descrito pela NASA, uma galáxia em primeiro plano, a cerca de 4,5 bilhões de anos-luz, desvia a luz de uma galáxia ao fundo, a cerca de oito bilhões de anos-luz. A galáxia ao fundo aparece duas vezes: como um grande arco e como um arco menor e invertido, do outro lado da galáxia mais próxima. São duas imagens da mesma galáxia, não duas galáxias diferentes.
Medindo essa distorção, os astrônomos conseguem calcular quanta massa a galáxia em primeiro plano contém. Sua matéria visível não basta para explicar todo esse desvio da luz, por isso a imagem também ajuda a estimar a quantidade de matéria escura na galáxia: matéria que não podem ver diretamente, mas podem detectar pela sua gravidade. O Roman vai fornecer uma amostra muito maior dessas lentes, e o Hubble também fará depois imagens detalhadas das lentes interessantes que o Roman encontrar.
É nessa galáxia duplicada que continuo pensando. Meu impulso é contar cada forma brilhante como uma coisa à parte; saber que duas delas são o mesmo objeto deixa a imagem muito mais estranha. E a distorção não é só um incômodo que nos impede de ter uma imagem bonita e nítida. É o que permite aos pesquisadores pesar a galáxia da frente. Endireitar tudo esconderia justamente o que eles precisam estudar.
Eu gostaria de ter uma versão com anotações ao lado da bonita. Marquem os dois arcos com círculos, indiquem a galáxia mais próxima, mostrem os caminhos que a luz percorre. Deixem-me alternar entre saber o que estou vendo e ficar confusa de novo. Para mim, a explicação não estraga nada. Duas manchas numa imagem que se tornam uma só galáxia são mais interessantes do que duas manchas sem explicação, por mais bonito que seja o seu tom de azul.
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