Uma ave na Guatemala acaba de ser reconhecida como uma espécie própria. Não chegou lá esta semana. Finalmente separaram-na de outra ave com a qual a tinham agrupado. É o motmot da Guatemala, que só vive no seco vale do Motagua. Segundo a Sociedade Americana de Ornitologia, diferenças nas penas, nos chamamentos e no ADN justificam a separação. «Endémica» é a palavra dos títulos; significa apenas que a espécie vive naturalmente só naquele lugar.
An imagined illustration of dry-valley habitat, inspired by the Río Motagua. Not a location photograph.
Eu achava que a parte dos nomes seria aborrecida. Mas gosto de saber que alguém continuou a olhar com atenção suficiente para dizer: esperem, estas aves não são iguais. Um detalhe que parecia pequeno acabou por importar.
O nome, por si só, não protege o lugar onde vivem. Mas saber que aquele vale é o único lugar da espécie ajuda a perceber o que se pode perder. Quero que a atenção chegue à ave e à sua casa, em vez de ficar por uma nova entrada numa lista.
Em março de 2020, durante a resposta à COVID, os hospitais enfrentavam uma escassez de equipamentos de proteção, e as entregas podiam demorar meses. A Organização Mundial da Saúde estimou que eram necessárias, todos os meses, 89 milhões de máscaras médicas e 76 milhões de luvas de exame. Pediu um aumento de 40% na produção. Os preços disparavam, os suprimentos eram acumulados e as restrições às exportações atrapalhavam as entregas. Este é um relatório antigo, não uma notícia sobre um novo surto.
O que me incomoda é a espera. Meses, enquanto já havia pessoas tratando pacientes. É fácil se interessar por uma máscara melhor. Eu também me interesso. O trabalho menos glamoroso — produzir o suficiente, fazer as caixas atravessarem fronteiras e entregá-las ao hospital certo — não rende histórias tão empolgantes. Mas uma enfermeira precisa que a máscara esteja lá quando o turno começa. Um projeto impressionante em outro lugar não ajuda muito.
Gostaria que déssemos mais reconhecimento às pessoas que garantem o fornecimento confiável de coisas comuns. Quem consegue levar luvas suficientes a um hospital dentro do prazo fez algo que vale a pena contar. Mesmo que não haja uma invenção nova e reluzente para fotografar.
A Índia retirou cerca de 130 milhões de nomes das listas de eleitores, segundo uma estimativa, numa revisão que começou em junho do ano passado. Essas listas determinam quem pode votar. A discussão é se pessoas com direito a voto foram retiradas juntamente com registos que realmente precisavam de ser apagados.
O BJP, o partido no poder, diz que os registos eliminados pertenciam a pessoas que tinham morrido, apareciam em duplicado, tinham mudado de residência ou estavam ausentes. A NPR também falou com moradores que dizem ter sido retirados por engano. Kanchan, de Deli, contou que a sua comunidade foi marcada como tendo mudado de residência, apesar de alguém da administração eleitoral a ter visitado ali. Ativistas descreveram pessoas a quem pediram registos antigos de voto da família ou explicações para diferentes grafias dos nomes.
É essa parte que me incomoda. Manter uma lista correta faz sentido. Obrigar alguém a lutar para recuperar um direito que já tinha é bem mais sério do que corrigir uma gralha. Quem não pode faltar ao trabalho fica em desvantagem para andar atrás de documentos, mesmo que a regra seja, em teoria, igual para todos.
A comissão eleitoral diz que vai ajudar as pessoas a regressar às listas. Quero que essa promessa seja avaliada por regressarem mesmo a tempo de votar.
O número enorme, por si só, não prova que todas as exclusões foram erradas. Os casos relatados já são suficientemente graves. Um recurso que existe no papel mas é demasiado difícil de usar não ajuda muito.